quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Os Sinais do Fim dos Tempos


Recentemente assisti um vídeo que trazia uma série de acontecimentos relacionados com o sinais do fim dos tempos,  curioso ao ver a capa, intitulada: Prepare-se, decidir  ver do que se tratava.  Eram vários os assuntos.  Descobri até que esse vídeo fazia parte de uma série com vários DVDs com temas e assuntos diversos. Os autores desses vídeos estavam tentando divulgar uma espécie de “escatologia”, diziam eles: “Nós queremos alertá-los sobre os acontecimentos e os sinais do fim dos tempos”.  Segundo o vídeo, tudo na história da humanidade não passa de uma série de conspirações, falou-se sobre, H1N1, guerras, O atentado de 11 de setembro, etc.. Em fim uma verdadeira coletânea de “terrorismo mental”.

Pessoas mais preocupadas em causar alardes, do que em pregar o evangelho autêntico.

 Diante disso vi a necessidade trazer algo sobre o que a Bíblia diz sobre Os Sinais dos Tempos, o assunto em si é muito extenso, este estudo está baseado no livro A Bíblia e o Futuro de Anthony Hoekema, tentarei ser o mais sucinto possível.

Para melhor compreensão vamos partir do princípio básico desse estudo.
O que estuda os sinais do fim dos tempos é a escatologia.
O termo “ESCATOLOGIA” origina-se de duas palavras gregas, eschatós e logos, e significa “doutrinas das últimas coisas”. Geralmente tem sido entendido como referindo-se a eventos que ainda virão a acontecer, relacionados tanto com o indivíduo como com o mundo. Em relação ao indivíduo, pensava-se que a escatologia se ocupava de assuntos tais como morte física, imortalidade, e o assim chamado “estado intermediário” – o estado entre a morte a ressurreição geral. Com relação ao mundo, a escatologia era vista como tratando da volta de Cristo, da Ressurreição geral, do juízo final e do estado final das coisas. Mesmo concordando em que a escatologia bíblica inclui os tópicos acima mencionados, nós temos de insistir que a mensagem da escatologia será seriamente empobrecida se nela não incluirmos a situação presente do cristão e a fase atual do reino de Deus. Em outras palavras, a escatologia bíblica completa precisa incluir tanto o que podemos chamar de escatologia “inaugurada”  ou “escatologia realizada”  que se refere  ao gozo presente de bênção escatológicas que o crente desfruta. Como a escatologia “futura” que designa eventos escatológicos que ainda são futuros.
Para entendermos corretamente a escatologia bíblica, precisamos vê-la como um dos aspectos integrantes de toda a revelação bíblica. A escatologia não deve ser vista como algo encontrado apenas em livros tais como Daniel e Apocalipse, mas como dominando e permeado toda a mensagem da Bíblia.

 É inaceitável afirmações ditas pertencentes a escatologia bíblica sem respaldo e fundamento na própria palavra de Deus, justamente o que acontece com os vídeos que citei no início do texto.

Outros problemas encontrados nesses vídeos, que distorcem o real sentido da verdadeira escatologia seriam:

Considerar os sinais dos tempos como se referindo exclusivamente ao tempo do fim, isto é, como se eles apenas se referissem ao período imediatamente anterior à Paurousia (Segunda Vinda de Cristo) fica óbvio que essa visão é errada com o uso que Jesus faz dessa expressão em Mateus 16.3 “Sabei, na verdade, discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos”, onde, os sinais dos tempos, se referem claramente mais ao passado e ao presente do que ao futuro. Isso fica claro ainda no fato de que tanto Jesus como Paulo ao falarem desses sinais ao se dirigirem aos seus contemporâneos.

Outra visão equivocada seria Considerá-los apenas em termos de eventos anormais, espetaculares ou catastróficos.  Próprio Jesus mais uma vez fez advertências contra esse modo de compreender os sinais quando disse aos fariseus: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de Vós” (Lucas 17.20,21). “As palavras que Cristo usa obviamente não são dirigidas contra ‘ver’ os sinais, mas contra uma expectativa do Reino orientada para o espetacular e incomum, e dessa forma negligenciando o elemento da decisão pessoal.” (Berkouwer – comentarista bíblico)

Outra maneira errada de compreender os sinais dos tempos é tentar usá-los como modo de datar o tempo exato da volta de Cristo. Ao longo da história cristã, tentativas de datar a volta de Cristo tem em sido frustradas, parece que se esquecem do texto de Mateus 24.36 “Quanto ao dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu. Nem o Filho, mas somente o Pai.”

Um terceiro uso errado dos sinais leva à tentativa de construir um cronograma exato de acontecimentos futuros. A profecia é muito diferente da história. Ela não pretende nos dar, do futuro um conhecimento análogo ao que a história nos dá a respeito do passado. Embora muitas profecias tenham sido dadas pelos profetas do Antigo Testamento, acerca do primeiro advento de Cristo, ninguém sabia exatamente como essas profecias seriam cumpridas até que Cristo, efetivamente, chegasse: “Cristo realmente foi um rei, mas não um rei conforme o mundo sempre havia conhecido, e um rei como ninguém esperava; ele foi um sacerdote, mas o único sacerdote em todos os tempos de cujo sacerdócio ele próprio era a vítima; ele de fato estabeleceu um reino, mas não era um reino deste mundo”. (Charles Hodge – Comentarista bíblico)
O próprio João Batista, precursor de Jesus, que primeiramente o havia apresentado como Messias prometido, começou mais tarde a ter suas dúvidas. Após ter sido aprisionado, ele enviou seus discípulos a Jesus para lhe perguntarem: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mateus 11.3). Por que tem João agora suas dúvidas? Porque ele tinha imaginado o Messias que estava apresentando como alguém que estava para cortar as árvores que não produzissem fruto, queimando a palha em fogo inextinguível (Mateus 3.10,12), enquanto que o Jesus, de quem ele ouvia, não fez nenhuma dessas coisas. Jesus respondeu chamando a atenção para seus milagres de cura e sua pregação do Evangelho aos pobres (VS 4,5), o que Isaías havia predito que o messias iria fazer (Is 35.56; 61.1). João estava esperando que Jesus cumprisse em sua primeira vinda, as atividades de juízo que ele executaria em sua segunda vinda; até o momento em que ele recebeu a mensagem corretiva de Jesus, ele não conseguiu perceber que as ações de cura e pregação do Messias deveriam ser executadas na sua primeira vinda.

Se crentes como João Batista puderam ter problemas dessa espécie com profecias acerca da primeira vinda de Cristo, que garantia temos nós de que os crentes (hoje) não terão dificuldades semelhantes com predições acerca da segunda vinda de Cristo? Estamos confiantes de que todas as predições acerca da volta de Cristo e do fim do mundo serão cumpridas, mas não sabemos exatamente como o serão.

De fato devemos estar preparados, não abitolados ou levados por quaisquer novidades que surgem por ai.  É certo que a Paurosia virá, mas ao sabemos exatamente quando há de vir. Por isso, temos de viver em constante expectativa e prontidão parta a volta do Senhor. As palavras do seguinte lema o colocam bem: “Viva como se Cristo tivesse morrido ontem, ressuscitado esta manhã e voltando amanhã”.

Escrito por Ivan Rodrigues
Baseado na Obra  A Bíblia e o futuro (Anthony Hoekema)

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