terça-feira, 19 de abril de 2011

Mudou o significado do Louvor?



Nos últimos anos surgiram, no meio evangélico, expressões incluindo a palavra louvor, as quais se tornaram verdadeiros jargões. E, como se sabe, jargões se alastram que nem epidemia. Assim tornou-se comum ouvir dizer: “Vamos ouvir um louvor”, “ministério de louvor”, “louvor profético”, etc.

Isto tem me incomodado bastante. E, pelo que ouço e leio, tem incomodado a muitas outras pessoas. Reconheço que a linguagem humana é extremamente dinâmica, e o sentido das palavras é sempre mutante, o de algumas palavras mais que os de outras, mas acho que estamos indo longe demais no que respeita ao conceito do que é realmente louvor. Por isso investiguei o assunto e cheguei às seguintes conclusões:

1. Louvor é uma expressão de elogio e admiração referente a uma pessoa, um objeto ou uma atividade. Louvar é dar honra, glorificar, fazer apologia. Portanto, qualquer atitude que redunde nisso pode ser considerada louvor. Oração, discurso, poesia, texto, música cantada, enfim, qualquer meio de expressão verbal pode e deve ser usado para o louvor. Entretanto, entendemos que expressões corporais não constituem louvor, pois este se expressa basicamente através da palavra.

2. Na igreja, não podemos nem devemos considerar como louvor somente os cânticos que geralmente são liderados pelos jovens, usando violão, guitarra, teclado, bateria, etc., e que se caracterizam pela animação com que são cantados. Também os hinos antigos e novos dos nossos hinários são louvor. Também as músicas cantadas por corais, conjuntos, quartetos, solistas, etc., são louvor. Também as orações são louvor. Aliás, o culto todo é um ato de louvor.

3. O louvor cristão é uma expressão de elogio, de glorificação e de admiração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Quem deve estar em evidência são estas três pessoas da Trindade Divina, e não aquelas que lideram a congregação quando ela está louvando ao Senhor. Às vezes, em algumas reuniões, tenho tido a nítida impressão que o “período de louvor” é o momento de glória exatamente destas últimas pessoas, pois elas fazem de tudo para aparecer. Falam muito, fazem longas orações, gesticulam, algumas pulam, usam o som no alto mais volume, manipulam a congregação, etc.

4. Não existe um “ministério de louvor”. Podemos ministrar a Palavra, as ordenanças, ministrar aos necessitados e doentes, ministrar conforto aos enlutados, mas não o louvor, porque não é algo que fazemos em favor (ou no lugar) de alguém, mas algo que só pode ser exercido pelo próprio crente, como fruto de lábios que exaltam o Deus Todo-Poderoso. O louvor cristão só pode ser oferecido a uma pessoa, o Senhor de nossas vidas e, portanto, não é uma coisa que se possa ministrar.

5. Uma das doutrinas mais importantes do Novo Testamento é o sacerdócio universal dos crentes. O meu único sacerdote é Jesus, que me abriu um novo e vivo caminho diretamente até o trono da graça de Deus e eu não preciso que, além dele, alguém ministre e se dirija a Deus em meu lugar. Como bem disse a Carta aos Hebreus, quando Jesus, que como homem era descendente da tribo de Judá, foi constituído sumo sacerdote, cessou o ministério sacerdotal aarônico, isto é, dos descendentes de Aarão, que era da tribo de Levi. Não existem mais levitas, os quais eram, na velha aliança, sacerdotes que executavam os atos de adoração no lugar do povo. O povo mesmo nem sequer entrava no templo; era obrigado a permanecer nos átrios (dos homens, das mulheres e dos estrangeiros). Portanto, é incorreto chamar as pessoas que se dedicam à música na igreja de levitas.

6. O louvor não tem poder de libertar, salvar, curar, produzir profecia, exorcizar, etc., como muita gente pensa e ensina, pois, como ficou claro, é apenas uma manifestação de elogio e admiração. Aliás, esta idéia de poder veio do conceito de “louvor” como um “ministério”. Daí veio, também, a conseqüência de tornar o “louvor” a parte principal do culto. Nunca é demais lembrar que louvor é apenas exaltação daquele que tem todo o poder, Jesus Cristo, e que a proclamação da sua Palavra sempre deve ser a parte principal do culto.

7. O louvor deve levar-nos ao enlevo com a beleza e a emoção da palavra e da música, mas também à reflexão sobre a nossa relação com Deus. Deve motivar-nos a uma maior comunhão com Deus e com os irmãos. Por isto é importante que não só a melodia seja bonita, o ritmo e o estilo sejam adequados, mas que a letra seja biblicamente correta. O que cantamos deve levar-nos à adoração reflexiva, sincera e transformadora, e não a provocar em nós apenas respostas físicas e emocionais.

Pr. Sylvio Macri
I.B.C. de Oswaldo Cruz, Rio - RJ

Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).
)



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Amnésia Espiritual (Extraido)

por Paulo Marcelo Borba

"Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita, que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu, mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer". (Tiago 1:25)

Imagine a situação: você está se arrumando para sair de casa e, ao sair do quarto, dá uma última olhada no espelho para conferir se está tudo certo. Ao passar do portão da rua, você subitamente esquece sua aparência e sua fisionomia. É uma situação praticamente impossível para uma pessoa saudável e em condições normais, certo?
Poderia se tratar de amnésia, mas onde está o espiritual? Está no fato de que é assim que Tiago compara aqueles cristãos que ouvem a palavra e não a praticam (Tg. 1:23 e 24). Será que continua tão estranha a situação ou já se torna um pouco familiar?

Deus nos criou perfeitos e capazes de adorá-lO e reconhecer que somos dEle, contando com o Espírito Santo para nos guiar, de maneira que amnésia espiritual não existe. Ao nos tornarmos conhecedores da verdade da salvação, é imperativo que nos tornemos também praticantes, do contrário, enganamos a nós mesmos (Tg. 1:22), negando o sacrifício deCristo e fugindo da felicidade e da verdadeira liberdade que Ele proporciona. Então, devemos sempre exercitar nossa memória espiritual, a fim de que sejamos saudáveis em Cristo Jesus.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Deveres dos Filhos



Em todas as sociedades há deveres e obrigações para com os estados e instituições a que os cidadãos estão sujeitos. Não será diferente na família. Aqui assiste-nos um dever moral maior de a respeitar. Como em todas as instituições há que respeitar as hierarquias. Na família devemos respeitar e honrar os nossos pais.
Deus deu mandamentos ao homem para que ele soubesse viver nesta terra com um comportamento que Lhe agradasse. Os mandamentos são dados como orientações para as pessoas e Deus, que nos ama tanto, deixou-nos bastantes para nosso proveito.
Vejamos qual foi o primeiro mandamento acompanhado de promessa. Efésios 6:1-3
"Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo; honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra."
Porque razão Deus fez questão em este fosse o primeiro mandamento com promessa?
Porque Deus considera ser dever dos filhos obedecerem e honrarem seus pais. Se não obedecemos e não honramos a nossos pais terrenos, como seremos capazes de obedecer e honrar a nosso Pai Celestial - Deus?
Lucas 15:11-24 conta-nos da história do filho pródigo. O jovem resolveu sair da alçada dos pais e percorrer o mundo, gastando a herança que exigira ao pai. Porém, deu-se mal por onde andou passando necessidades. Sem dinheiro, sem comida, sem ninguém viu-se na necessidade de trabalhar para matar a fome. Foi apascentar porcos e tinha que comer as bolotas dos porcos e ninguém lhe dava nada. Felizmente deu-se conta da sua miséria e, arrependido voltou para pedir perdão ao seu pai. Seu pai, vendo-o de longe a regressar correu para ele e o beijou, choraram juntos. O filho pediu perdão ao pai e como sempre, lhe perdoou.
Há muitos jovens que desobedecendo a seus pais enveredam por caminhos tortuosos, desonrando seus pais. Consomem drogas, álcool, tabaco e outras substâncias nocivas ao organismo e à mente, levando vida desregrada e com lances perigosos. Como resultado disso muitos deles morrem ainda jovens. Não chegam a idade adulta e quando chegam são doentes e atingidos por diversos malefícios.
A desobediência aos pais resulta na falta das bênçãos mencionadas no versículo 3. Se desobedece, nada vai bem e não pode viver muito tempo sobre a terra.
Quantas vezes temos desobedecido a nossos pais? Quantas vezes temos sido causa de vergonha e de tristeza para eles? Estarão nossos pais satisfeitos com a nossa conduta em relação a eles? Estaremos fazendo a vontade de Deus, obedecendo aos seus mandamentos? À medida que nossos pais vão envelhecendo, é tendência de muitos filhos os abandonarem, maltratarem e os colocarem em asilos para se verem livres deles. Dizem: são velhos, quadrados, desactualizados, incomodam a gente e nossos amigos nos abandonarão. Assim, antes de perdemos o status na sociedade por causa de nossos pais velhos, vamos mandá-los para bem longe…
Neste contexto os filhos estão perdendo as bênçãos que Deus destinou para todos eles: para que te vá bem e vivas muito tempo sobre a terra.
Muitos filhos esquecem depressa o que seus pais fizeram e continuam afazendo por eles. Desde a sua meninice que seus pais os amam, lhes ensinam preparando-os para saberem enfrentar a vida até saírem de casa para arrumarem seus lares. Muitos deles nunca mais voltam a visitar seus pais, outros esquecem-nos. Mas graças a Deus que existem muitos filhos que amam e honram seus pais. Esses serão os grandes beneficiários das bênçãos que Deus lhes destinou, conforme o mandamento.
Leia com atenção o relato que se segue, que consegui através de uma apresentação em Powerpoint, e medite sobre a sua relação com os seus pais.
Meu amado filho
No dia em que este teu velho não for mais o mesmo, tem paciência e compreende-me.
Quando derramar comida sobre minha camisa e me esquecer como atar os meus sapatos, tem paciência comigo e lembra-te das horas em que passei a ensinar-te a fazer as mesmas coisas!

Se quando conversares comigo, eu repetir as mesmas histórias, que já sabes como terminam, não me interrompas e escuta-me. Quando eras criança, para que dormisses, tive que te contar milhares de vezes a mesma história até que fechasses os olhinhos…
Quando estivermos reunidos e sem querer fizer minhas necessidades, não fiques com vergonha. Compreende que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pensa, quantas vezes, pacientemente, troquei as tuas roupas para que estivesses sempre limpinho e cheiroso.

Não me reproves se eu não quiser tomar banho, mas sejas paciente comigo. Lembra-te dos momentos em que te persegui e os mil pretextos que inventava para te convencer a tomar banho.
Quando me vires inútil e ignorante na frente de novas tecnologias que já não poderei entender, peço-te que me dês todo o tempo que seja necessário, e que não me censures com um sorriso sarcástico! Lembra-te que fui eu quem te ensinou tantas coisas. Comer, vestir e como enfrentar a vida tão bem como hoje o sabes fazer. Isso é resultado do meu esforço e da minha perseverança.
Se em algum momento, quando conversarmos, eu me esquecer do que estávamos a falar, tem paciência e ajuda-me a lembrar. Talvez a única coisa importante para mim naquele momento seja o facto de te ver perto de mim, dando-me atenção, e não o que falávamos.
Se alguma vez eu não quiser comer, que saibas insistir com carinho. Assim como fiz contigo…
Que também compreendas que com o tempo não terei dentes fortes, e nem agilidade para engolir...
E quando minhas pernas falharem por estarem tão cansadas, e eu já não me conseguir mais equilibrar... Com ternura, dá-me tua mão para me apoiar, como eu o fiz quando tu começaste a caminhar com tuas perninhas tão frágeis.
E se algum dia me ouvires dizer que não quero mais viver, não te aborreças comigo. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com teu carinho ou com o quanto te amo…e compreendas que é difícil ver a vida abandonando aos poucos o meu corpo, e que é duro admitir que já não tenho mais o vigor para correr ao teu lado, ou para tomar-te nos meus braços, como antes.
Sempre quis o melhor para ti e sempre me esforcei para que o teu mundo fosse mais confortável, mais belo, mais florido. E até quando me for, terei deixado para ti outra rota em outro tempo, mas estou certo de estar sempre presente em teu pensamento.
Não te sintas triste ou impotente por me veres assim. Não me olhes com cara de pena. Dá-me apenas o teu coração, compreende-me e apoia-me como o fiz quando começaste a viver. Isso me dará muita força e muita coragem.
Da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada, peço-te que me acompanhes para terminar a minha. Trata-me com amor e paciência, e eu te devolverei sorrisos e gratidão, com o imenso amor que sempre tive por ti.

Atenciosamente,
Teu Velho

Releia e medite em cada situação do texto e diga para si mesmo qual tem sido a sua conduta para com seus pais. Seus pais o amam e seria uma enorme alegria para eles, você dizer-lhes: papai, mamãe, amo muito vocês.
Deus os abençoe!
Fonte: www.jesussite.com.br

Será que estamos alienados socialmente?



A minha autocrítica é contra a alienação pública/coletiva dos evangélicos. Temos número suficiente para transformar um país, mas infelizmente, não temos pauta, nem bandeiras sociais, só um chavão: o Brasil é de Jesus! Mas isso não se tornará verdade apenas por decreto. E Deus sabe o que faz.

Será que somos dignos de sermos chamados Protestantes? Nós protestamos o quê, contra o quê? Não conseguimos transpor para o social nossas transformações na vida privada. Podemos até reclamar dos políticos, inclusive dos ditos “evangélicos”, mas não temos tido foco, mobilização, nem articulação para acrescentar um côvado nos parlamentos e governos, elegendo bons representantes e boas temáticas de atuação. As nossas igrejas mais sérias pousam de reserva ética, porém estéril. – Nós não mexemos com política, sentenciam alguns. Ora, isso já é a política, pois abre caminho para aventureiros, que “mexem” muito melhor com a coisa. Enquanto isso, a grande mídia acredita que somos representados politicamente pela nossa banda mais podre.

Na área pública, protestar o quê? Colhemos o que plantamos.

Por: Murilo Marques

Extraido: http://blog.opovo.com.br/cotidianoefe/a-ausencia-e-presenca-dos-evangelicos/

Newer Posts Older Posts