segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Arrependimento de Deus



A palavra hebraica para arrependimento é noham. É usada para indicar tanto o arrependimento humano quanto o arrependimento de Deus no Antigo Testamento.
É do conhecimento de todos que a Bíblia fala do arrependimento de Deus. Mas como o arrependimento de Deus deve ser entendido? Será que o arrependimento humano serve de parâmetro para o arrependimento de Deus? O arrependimento de Deus é o mesmo dos homens? Deus realmente se arrepende?
Antes de responder a estas perguntas, é preciso observar, primeiramente, que a Bíblia trata do arrependimento de Deus nas seguintes passagens:
Gênesis 6.5-7 (Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; então se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis, e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito);
Êxodo 32. 12 (Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo);
I Samuel 15.10,11,35 (Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras...O SENHOR se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel);
2 Samuel 24.16 (Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão...);
Jeremias 18.7,8 (No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe);
Joel 2.13 (Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal);
Jonas 3.10 (Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez).
Como entender estas passagens à luz de um contexto bíblico mais amplo? Cremos que o Dr. James Packer está correto quando diz: "A referência em cada caso é sobre a anulação de um prévio tratamento dispensado a certos homens, como conseqüência da reação deles a esse tratamento. Mas não há sugestão de que essa reação não tenha sido prevista, ou que Deus tenha sido tomado de surpresa, e que não estivesse estabelecida em seu plano eterno. Não há mudança alguma em seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação a um homem de maneira diferente".
Além dos textos bíblicos acima, outras passagens são categóricas em afirmar que Deus nunca se arrepende:
Números 23.19 (Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?);
I Samuel 15.29 (Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa);
Oséias 13.14 (...Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum).
Não existe contradição alguma entre os textos que dizem que Deus se arrepende e os que afirmam de outra maneira. Pelo contrário, essas três últimas passagens bíblicas estabelecem definitivamente que o arrependimento de Deus nunca deve ser entendido como o arrependimento humano. E por que não? Simplesmente porque o arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada, como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais comete erros. Em Deus "não pode existir variação, ou sombra de mudança" (Tg 1.17).
Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo e mudando sua intenção para com o homem, "evidentemente é só a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus mas no homem e nas relações do homem com Ele" (L. Berkhof). Pink complementa: "Quando fala de si mesmo, Deus freqüentemente acomoda a Sua linguagem às nossas capacidades limitadas. Ele Se descreve a si mesmo como revestido de membros corporais como olhos, ouvidos, mãos, etc. Fala de Si como tendo despertado (Salmo 78.65) e como ‘madrugando’ (Jeremias 7.13), apesar de que Ele não cochila nem dorme. Quando Ele estabelece uma mudança em Seu procedimento para com os homens, descreve a Sua linha de conduta em termos de arrepender-se". Em suma, o arrependimento de Deus não ocorre por causa de qualquer mudança nEle, mas por causa de nossa mudança para com Ele.

 Artigo Escrito pelo Rev. Josivaldo de França Pereira - Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (I.P.B.) em Santo André - SP. Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição (J.M.C. - SP), Licenciado em filosofia pela F.A.I. (Faculdades Associadas Ipiranga - SP) e mestrando em missiologia pelo Seminário Teológico Sul Americano (S.T.S.A.) em Londrina - PR.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Cuidado com a calça colada rapaz!", alerta do pastor aos jovens.

Alô Galerinha saca só este texto que encontrei navegando na rede. Que Deus os abençoe a cada dia. E Vivam esta Metanóia em Cristo....




Esta semana o pastor Richard Guerra, do Ministério dos Namorados da Igreja Batista da Lagoinha (IBL) em Belo Horizonte (MG), publicou artigo alertando os rapazes cristãos a tomarem cuidado com o tipo de roupas que estão usando.
Segundo o pastor, ele decidiu escrever o artigo após ler um texto sobre como as mulheres cristãs devem se vestir. Ao lembrar sobre a moda dos homens metrossexuais, Guerra fez um alerta sobre as calças justas e regatas muito cavadas que estão sendo usadas por rapazes evangélicos. 
Dias atrás, li o texto “Mulheres cristãs, cuidado com a roupa curta” escrito pela jornalista Stephanie Zanandrais e achei muito interessante. O texto aponta problemas relativos à vestimenta das moças, os padrões do mundo hoje e os padrões da Palavra de Deus. Senti-me então, obrigado a escrever algo inimaginável até há algum tempo, a vestimenta masculina também tem sido alvo de problemas entre os jovens (inclusive cristãos).
Até pouco tempo, as roupas dos rapazes eram austeras (com rigor) e corretas, porém, com o advento da “metrossexualidade”, o homem tem se tornado cada vez mais vaidoso. Isto acabou atingindo as roupas. É comum, hoje, ver jovens com calças muito coladas ao corpo e usando regatas bem cavadas para exibir seus músculos.
Que tipo de garota você, rapaz, está querendo atrair com essa postura? Certamente, não uma que prioriza a postura santa! A Palavra de Deus nos fala que o amor não se conduz de forma inconveniente. É importante evitarmos mostrar o nosso corpo, para que desta forma não defraudemos a visão de ninguém.
O desejo de Deus é que possamos caminhar puros e austeros. Não é desejo dele nossa exposição e nem o constrangimento daquele que está perto de nós. Quando você for a uma loja será desafiador encontrar roupas santas, mas certamente elas estarão lá para você. Basta não se amoldar e acomodar com os padrões da moda deste mundo, que quase sempre são ditados por pessoas que não têm Cristo como referência e dão apoio a todo tipo de perversidade.
Quando estiver saindo de casa olhe-se no espelho e pense: “Se Jesus estivesse ao meu lado, Ele ficaria feliz ou constrangido?” Amado, não deixe que seu corpo seja o seu cartão de visita para conhecer e se apresentar a outras pessoas, mas que você seja a carta escrita de Cristo. Deus abençoe!
Fonte: Lagoinha;  http://www.verdadegospel.com/cuidado-com-a-calca-colada-rapaz-alerta-pastor-aos-jovens/

sábado, 5 de janeiro de 2013

Analisando o Filme - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa



Classificação do filme: Fantasia Mitológica
Uma adaptação fenomenal do clássico de C. S. Lewis! De fato, diria que este é um dos poucos filmes melhores que o livro. Não fiquei impressionado com o livro, mas chorei durante todo o filme por causa de sua magia profunda, isto é, sua encarnação mitológica. Lúcia é adorável .
Uma de minhas cenas favoritas é quando ela sorri por causa de seus irmãos incrédulos, abismados, em Nárnia pela primeira vez, e diz com certa ironia: “Não se preocupem, é apenas a imaginação de vocês”.
A Rainha do Gelo é interpretada com toda a maldade, e Aslam é perigoso, mas é bom. Algo que chamou minha atenção no filme foi a apresentação positiva da cultura medieval da cavalaria. Neste ponto, os produtores foram leais aos antecedentes ingleses de Lewis, bem como à sua graduação em romantismo medieval. Foi revigorante observar a honra coragem e o dever lutando contra o mal como meios de liberdade e justiça .
Por essa razão, liberais , socialistas e outras pessoas ligadas à modernidade não gostarão deste filme, por incorporar verdades detestadas por eles. Aslam permite que Pedro mate o lobo maligno com sua espada como um rito de masculinidade e para tornar-se um cavaleiro honrado. Uau ! Isso é politicamente incorreto — e fiel à realidade .
Num dos momentos mais belos do filme, a Feiticeira Branca apela para a Magia Profunda, “mais poderosa que qualquer um de nós, e governa o destino de todos, de vocês e o meu”, e afirma que a lei exige sangue para a realização da justiça verdadeira.
Isso com certeza é abominado como barbárie primitiva pelos que, em nossa sociedade, culpariam as vítimas (a menos que isso constitua racismo), e procurariam compreender os transgressores (como alguns islâmicos fascistas), em lugar de fazer justiça, e pensariam em permitir que os criminosos fossem libertados porque “sentem-se” arrependidos ou se comportaram como bons meninos na cadeia — imaginando fazer, de alguma forma, justiça.
Este filme demonstra que as exigências da Lei são “olho por olho”, e que essa fórmula não é desonesta ou injusta , mas a única forma de justiça; de outra forma, o mal reinaria. A rejeição do “olho por olho” é a barbárie que destrói a civilização — o que nos leva à mitologia cristã do filme. Alegrei-me muito por ela não ter sido suprimida.
Claro, a essência do cristianismo é a expiação substitutiva de Cristo por seu povo. Não fomos perdoados porque Deus acenou e permitiu que os criminosos do universo tivessem passagem livre — isso seria injusto para com as vítimas. Em vez disso, Jesus tomou sobre si mesmo a pena de morte por todos os crentes. Isto, e apenas isto, é o enigma filosófico-teológico da união perfeita do amor e da justiça.
A lei divina requer o pagamento da penalidade (justiça), mas o amor de Deus é demonstrado no sofrimento da penalidade a favor de seu povo (Romanos 5:6-10). Isto é a Lei e o Evangelho, e ambos são necessários para a comunicação eficiente da redenção. Como um espelho, a lei de Deus mostra-nos, criminosos do universo, a culpa referente aos nossos pecados (Romanos 3:19,20). Entretanto, o Evangelho é as boas novas de que Jesus pagou a penalidade para libertar-nos (Romanos 6:23). Como Aslam explicou: “Se uma vítima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor”, então a “ Magia Profunda” seria cumprida, isto é, a lei seria cumprida mediante o sacrifício expiatório de Cristo.
Algumas das analogias mais poderosas do Evangelho encontram-se neste filme. Claro, a Mesa de Pedra do sacrifício é um símbolo pagão do aplacamento dos deuses, como a crucificação era uma modalidade romana de punição. Aslam não diz nenhuma palavra e é tosquiado antes de ser morto, como Cristo ficou calado e foi espancado e humilhado antes de morrer (Isaías 53:5-7).
A Feiticeira Branca , antes de eliminar Aslam, diz de maneira jocosa: “Contemplem o Grande Leão”, da mesma forma que os opressores de Jesus zombaram dele dizendo: “Salve, rei dos judeus!” (João 19:3). Quando Aslam ressuscita acontece um terremoto, do mesmo modo que ocorreu junto ao túmulo de Jesus quando ele ressuscitou (Mateus 28:2). Ah, duas garotas estavam lá quando Aslam ressurgiu, como as duas mulheres que viram o Cristo ressurrecto (Mateus 28:1).
Ao matar a Feiticeira Branca, Aslam diz: “Está consumado” — palavras idênticas às últimas proferidas por Jesus, na cruz, quando a salvação foi assegurada e o poder da morte e do Diabo destruído (João 19:30; Hebreus 2:14).
Ele sopra nas estátuas para trazê-las à vida, como Jesus soprou sobre seus discípulos para outorgar-lhes o Espírito Santo que os ressuscitou espiritualmente dentre os mortos (João 20:22).
Foram omitidas as expressões “Filhas de Eva” e “ Filhos de Adão”, referências ao Gênesis e ao pecado original (Romanos 5), mas também a glória dos seres humanos à imagem de Deus como filhos de Adão e Eva (Atos 17:26). [1]
Adorei a desforra branda da demitologização moderna da religião. Em Nárnia, a “Terra do Mito”, Lúcia observa alguns livros, e um deles é intitulado É o homem um mito? Que alfinetada !
Dois pequenos desapontamentos: transformaram a expressão clássica a respeito de Aslam: “Mas ele é tão perigoso assim ?”, “Claro que é, perigosíssimo. Mas acontece que é bom”, em: “Ele não é um leão domesticado, mas é bom”. E também mencionaram apenas uma vez o epíteto de Nárnia: “Aqui é sempre inverno e nunca Natal”. Ele deveria ter sido repetido muitas vezes por ser o símbolo de quão impiamente os homens desejam retirar Deus da sociedade, como chamar o Natal apenas de “feriado” ou a tentativa de erradicar todos os símbolos da influência divina sobre a cultura. Soa familiar? De qualquer forma, Lewis e Tolkien são duas das maiores forças contra a modernidade ao assegurar que é correto “crer”, demonstrando o caráter da mitologia moderna como mau e destrutivo ao extremo. Escreverei um livreto ou um livro, no final deste ano (se vocês quiserem ler mais a respeito da idéia do uso da mitologia ou elementos mitológicos pagãos na arte de contar histórias). Seu título será Palavra e imagem.
[1] – Na versão legendada em português, aparecem escritas estas expressões. Elas não foram suprimidas.
 
Escrito por: Brian Godawa  
Traduzido por: Rogério Portella

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